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Cotações caíram em abril com pandemia afetando liquidez

O mercado brasileiro de milho teve um mês de abril de queda nas cotações em todas as regiões. Em que pese à preocupação com o clima para a safrinha, com falta de chuvas em importantes estados, a diminuição da liquidez no mercado por conta da pandemia do coronavírus e os efeitos que o distanciamento social provoca pressionaram as cotações.

Houve impacto na demanda por parte dos consumidores de milho, no mercado de carnes, e os produtores aumentaram a oferta temendo por mais quedas nas cotações. O analista de Safras & Mercado, Paulo Molinari, aponta que o momento de paralisação social no Brasil tem o mesmo efeito que foi registrado nos demais países afetados. Ou seja, contenção da demanda interna em todos os segmentos e dificuldades de liquidez das empresas e do sistema geral. “Apesar das ações do governo para contornar esta questão do crédito e do emprego, a paralisação prolongada das atividades econômicas deixa rastros negativos, desde o desemprego até a liquidez das empresas. E isto afeta preços”.

Assim, os preços no setor de carnes caiu, com aumentos nos estoques nas câmaras frias e dificuldades no escoamento no atacado e varejo. Molinari observa que a queda nos preços das carnes não dispõe de um reflexo direto e imediato nas cotações de alguns insumos, como milho e farelo de soja. O consultor indica que a questão do momento não é apenas de demanda, mas de liquidez. “Empresas com estoques de milho passaram a consumir esses estoques e reduzir o ritmo de compras do cereal no disponível. Os produtores e vendedores, com receio de uma pressão de venda, aceitaram as baixas de forma mais rápida e intensa em busca da liquidez”, comenta.

Os preços acabaram caindo de forma súbita, inesperada e rápida, procurando encontrar a liquidez, destaca Molinari. “Os vendedores derrubaram os preços nos últimos dias procurando essa liquidez de compra”, comenta.

O que limitou as perdas foi a falta de chuvas em regiões produtoras, como Paraná e Mato Grosso do Sul. Há temores envolvendo a quebra significativa da safrinha nestas regiões. Porém, há maior apreensão com a safrinha chegar com o mercado vivendo essa “crise de liquidez”. O dólar em patamares elevados e um maior movimento exportador poderiam também sustentar melhor o mercado.

No balanço de abril, o preço do milho em Campinas/CIF caiu de R$ 62 para R$ 51 a saca de 60 quilos na base de venda, baixa de 17,7%. Na região Mogiana paulista, as cotações recuaram de R$ 60 para R$ 50,00 a saca, queda de 16,7%.

Em Cascavel, no Paraná, o preço passou de R$ 50 para R$ 46,50 a saca entre o final de março e o fim de abril, acumulando, assim, queda de 7% na base de venda. Em Rondonópolis, Mato Grosso, a cotação passou de R$ 48 para R$ 43 a saca (-10,4%). Já em Erechim, Rio Grande do Sul, houve baixa de R$ 52,50 para R$ 48, desvalorização de 8,6%.



O Diário de Cuiabá
06/05/2020